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Alvaro´s, no Leblon, resgata a tradição do Picadinho que está no cardápio há mais de 50 anos

Alvaro´s, no Leblon, resgata a tradição do Picadinho que está no cardápio há mais de 50 anos
Redação Rio Gourmet
Por: Redação Rio Gourmet
Dia 23/02/2016 18h57

Carioca da gema, literalmente, o picadinho como todo bom samba de malandro, além de ótimo, tem data de nascimento incerta e autoria discutível. Como muitos dos pratos tradicionais do Rio de Janeiro, o Picadinho tem seu antecessor nas mais antigas tradições culinárias portuguesas. Vindo do Arquipélago da Madeira o Picado português chegou por estas bandas há mais de 200 anos e pode ser feito com carne bovina, suína, aves ou até frutos do mar. Já no Rio, foi adaptado aos ingredientes que se podia encontrar aqui e ao gosto da população que se mesclava com os lusitanos recém- chegados.

Como se fosse um elixir revigorante começou a ser servido no século 19 aos boêmios frequentadores do famoso bairro da Lapa após as noitadas regadas a álcool e boa música.

Nos anos 50 caiu no gosto da alta sociedade carioca quando, encantado com o sabor do prato, o chef executivo do Hotel Copacabana Palace colocou o Picadinho no cardápio da Boate Meia Noite. A casa tinha esse nome já que abria suas portas à meia noite e fechava só quando o sol raiava.

Conta-se - nos bares - que foi sendo aprimorado através das madrugadas, dos boêmios e dos “botequins” que o preparavam. Encantou também a grandes astros e estrelas de Hollywood, que visitaram o Brasil.

“A carne cortada na faca – requisito obrigatório na receita – era cozinhada em panela de cobre e levava cebolinha picada bem fininha, louro, tomate, manjericão, segurelha e alecrim. Ia para a mesa em recipiente de barro, com arroz, agrião picado, farinha de mandioca, pimenta malagueta e ovo poché” conta Manolo Casal, proprietário do tradicional Alvaro's, no Leblon, que a mais de 50 anos serve a iguaria. Tinha, segundo ele, o charme (tropical) da tradicional soupe d’oignon saboreada nas madrugadas parisienses.

Para grande gáudio de toda a boemia tupiniquim, o picadinho, que no Alvaro’s custa R$80 e serve duas pessoas, se espalhou pelos grandes centros e acrescido de croquete de banana, continua hoje, remodelado com fidelidade, alimentando a alegria, não só das madrugadas do Alvaro´s (filet mignon picado na manteiga, ovo frito, banana, arroz e farofa, à p/ duas pessoas) - ponto tradicional da boemia carioca- mas também de almoços e jantares - democraticamente, sem frescura - com o encanto boêmio de sua origem e o glamour dos anos dourados.

Manolo Casal presenteia os leitores com a receita tradicional do Picadinho Carioca:

1 kg de Filé Mignon

2 colheres (sopa) de manteiga

2 dentes de alho amassadinho

2 cebolas

1 folha de louro

1 ovo frito

1 banana frita cortada ao meio

Arroz

Farofa

Modo de Fazer:

Limpe a peça de filé, tirando toda fibra e gordura, depois com a faca bem amolada, vá picando a carne em pedaços pequenininhos ponha-os em uma vasilha, tempere bem com alho socado. Em uma frigideira leve a manteiga ao fogo, quando esquentar junte a carne, o louro e frite um pouco de cada vez até dourar. Prove e ajuste o sal e a pimenta do reino. Retire do fogo e sirva em seguida. Acompanha arroz branco, farofa, ovo e banana frita. 

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